
Pulsos cortados, coração amargurado. Ela parecia perfeita por fora, continuava usando suas roupas largas, o que ninguém sabia era o porquê daquelas roupas. Por baixo de cada camiseta seus braços estavam cortados, como maneira de demonstrar um pouco da sua dor, sua angustia, seu medo. Cada corte era como um pedido de socorro, um socorro de si mesma, do seu mundinho que só te faz mal. Noites chorando olhando para o teto, presa nas falsas expectativas, presa nas lembranças. – Socorro, socorro – Eram as únicas palavras que se repetiam na sua mente. Havia um oco no seu peito, ela já havia procurado milhões de antídotos, mas nada adiantava, o veneno percorria todo o seu corpo, sem ao menos perceber. – Você não serve para nada, você não vale nada, boba, idiota, garota imbecil – Ela gritou. Levantou-se da cama e parou em frente ao espelho, não gostava do que via, garota gorda demais, baixa demais, tudo o que um dia a sociedade havia lhe dito escoava por sua mente – Feia, gorda, feia – Com apenas um soco ela quebrou todo o espelho, tendo a esperança que aquelas vozes fossem a deixar em paz. Pulsos cortados, coração amargurado. Ela queria alguém que cuidasse, amasse e jamais a abandonasse. Ela queria um colo e carinhos. Ela queria ser abraça em meio a madrugada chuvosa e ouvir teu sussurro dizendo “Jamais irei te deixar, confia em mim”. Ela queria sentir como suas mãos poderiam segurar fortemente as dela de certa forma que ela se sentia protegida. Ela queria acordar e ganhar um beijo teu, só para sentir teu bafinho pela manhã. Ela queria ser tua garoto, ela queria ser outra pessoa, ela queria ser feliz […] Pulsos cortados, coração amargurado.
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